
Naturais de Castel San Giovanni, Província de Piacenza (norte da Itália), Maria nasceu no dia 20 de abril de 1815 e Giustina no dia 19 de julho de 1819. Por volta do ano de 1832, elas se transferiram com o pai para a cidade de Voghera. Mais tarde, foram morar em um internato na cidade de Pavia, Giustina como professora e Maria como estudante, pois a família Schiapparoli era originária de Pavia.
Em 1847, Maria e Giustina Schiapparoli retornaram à família, que se encontrava em Voghera, para cuidar do pai viúvo e da irmã Luisa, que ficara cega e fora hospitalizada. Não demorou muito, essa irmã tão querida por nossas fundadoras, veio a falecer no intervalo de alguns anos. Perderam também a presença forte do pai Clemente Schiapparoli. Estando na cidade, elas não quiseram limitar sua missão em cuidar de si mesmas e dos outros entes queridos, mas elas se abriram também aos problemas sociais daquele tempo. Um dos problemas mais graves era a mendicância, sobretudo dos menores, cujas leis em vigor não conseguiam remediá-la. Essa chaga se alastrava também em Voghera; era normal encontrar ao longo da estrada crianças e jovens que estendiam a mão para obter um pedaço de pão, às vezes, prostituindo-se para consegui-lo.
A Servas de Deus Maria e Giustina Schiapparoli, sensibilizadas por essa grande miséria, decidiram acolher em sua casa algumas meninas pobres, abandonadas ou desamparadas pelos pais ou postas em condições perigosas. Dedicavam a essas jovens: carinho, respeito e ensinavam-nas a prática dos trabalhos manuais e buscavam para elas o direito que a sociedade da época não lhes dava. Nos momentos em que percebiam as jovens desoladas, passeavam pela cidade a ver vitrine, com o objetivo de alegrar um pouco mais a vida delas. O espírito de família e a alegria comunitária (sem a virgula) sempre foram virtudes próprias do jeito de ser das Irmãs Beneditinas da Divina Providência.
As duas irmãs receberam o hábito religioso do Padre guardião da comunidade franciscana daquele lugar, numa pequena capela do Convento dos Frades Menores Reformados.
O exemplo das Servas de Deus e Fundadoras, aos poucos, foi cativando as internas e as jovens da cidade.
E no ano de 1853, uniu-se a elas a primeira postulante que fez a vestição e a profissão religiosa em 1854. Depois disso, a Providência chamou outras jovens que responderam ao apelo de Deus em fazer parte dessa família religiosa, atraídas pelo grande ideal apostólico dessas duas jovens que, embora sendo poucas, se abandonaram plenamente aos cuidados de Deus e assim tornaram-se providência para outras jovens.
Um dos fortes traços de nossas origens foi o equilíbrio entre o temperamento e o modo de ser de Maria e Giustina Schiapparoli. Embora diferentes uma da outra, deixaram virtudes comuns: a vida de oração e trabalho, o espírito de sacrifício, a confiança na Divina Providência e o grande empenho pelo bem das Irmãs e das acolhidas. Podemos destacar também: a devoção a Virgem Maria, a fidelidade aos sacramentos e de modo muito especial a humildade e simplicidade de vida.
“Portanto, não fiqueis preocupados, dizendo: que vamos comer? Que vamos beber? O que vamos vestir? (…) O vosso Pai, que està no céu, sabe que precisais de tudo isso. Pelo contrário, em primeiro lugar buscai o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus vos dará, em acréscimo, todas essas coisas” ( MT 6, 31-33). “Estas palavras do Evangelho constituíram o horizonte espiritual e o programa de vida das Servas de Deus Maria e Giustina Schiapparoli. Da contemplação do Pai celeste elas aprenderam a fazer da sua vida um contínuo ato de amor em favor dos pequeninos, em atitude de entrega total à Providência. Às suas Filhas espirituais deixaram a tarefa de prosseguir neste mesmo caminho evangélico.” (Papa João Paulo II, por ocasião do XXII Capítulo Geral e aniversário de 150 anos de fundação do Instituto)
A fama de santidade das Servas de Deus Maria e Giustina Schiapparoli
As Servas de Deus demonstraram, ao longo de sua existência, de possuir uma união profunda, íntima e pessoal com Deus, cultivada pela oração e pela ascese, na busca constante da vontade divina, no total desapego dos bens terrenos, na humildade e no silêncio, à imitação de Jesus Cristo.
Viveram a virtude da fé com muita simplicidade: a Santa Missa e a Comunhão diárias, as orações tradicionais, a reza do Santo Rosário, a Adoração Eucarística e a Meditação, sem recorrer a leituras muito elevadas.
Viveram tão heroicamente a virtude da esperança que não hesitaram em iniciar a obra acolhendo as pobres meninas órfãs na casa alugada, onde elas acudiam o pai velho e doente, sem dinheiro, sem auxílio de autoridades, sem outras companheiras, apenas uma granítica confiança na Divina Providência. Esta confiança marcou tão profundamente o início da obra, que, por isso, a Congregação é intitulada Beneditinas da Divina Providência. E tem mais: durante a vida, as Servas de Deus não tiveram uma casa própria, viveram sempre em casa alugada.
E que dizer da virtude da caridade? Ambas escolheram, caminharam e cresceram na caridade, especialmente para com as meninas pobres e abandonadas, mas vivificadas por um amor ardente e exclusivo a Deus, a quem aprenderam amar desde o berço materno. Eram tão absortas em Deus que, somente passando, já eram um apostolado.
Mas as Servas de Deus, no espírito da ascese cristã, viveram intensamente também todas as virtudes cardeais: a Prudência, a Justiça, a Fortaleza, a Temperança, e as virtudes próprias da Vida Consagrada: a Castidade, a Pobreza, a Obediência, a Humildade e a Simplicidade.
As Servas de Deus foram mulheres e consagradas de virtudes extraordinárias; por isso, fazemos votos que elas, muito em breve, sejam proclamadas Beatas e Santas pela Santa Igreja. Rezemos esta oração:
Oração para obter a glorificação das Servas de Deus Maria e Giustina Schiapparoli
Ó Pai, doados de todo bem, nós vos agradecemos porque destes às Vossas Servas Maria e Giustina a graça de serem testemunhas vivas do vosso amor misericordioso, concedei-nos, por sua intercessão, sermos capazes de anunciar o Evangelho, na total confiança na vossa Providência.
Senhor Jesus, que destes às Vossas Servas Maria e Giustina um particular cuidado para com os pequeninos e os pobres, concedei-nos, por intercessão e exemplo de Vossas Servas, sermos felizes em servir-vos cada dia, na humildade e no silêncio, acolhendo-vos nos nossos irmãos mais necessitados.
Espírito Santo, fonte de todo bem, que fizestes de Maria e Giustina dóceis instrumentos de vosso amor misericordioso, concedei-nos, por intercessão dessas humildes Servas, vivermos na escuta de vossas inspirações, para que, em nossos corações, se inflame o fogo de vossa caridade e possamos produzir frutos de graça de santidade.
Oração para obter a fidelidade ao Carisma das Fundadoras
Senhor, nós vos adoramos e agradecemos pelos dons concedidos às nossas Fundadoras Maria e Giustina Schiapparoli que, sensíveis aos apelos de vossa Divina Providência e dóceis instrumentos nas vossas mãos, doaram-se totalmente a juventude, especialmente pobre e abandonada, sem descuidar os doentes e os anciãos solitários e sofredores.
Concedei também a nós, por intercessão de Maria Santíssima, Mãe da Divina Providência, o dom de colocarmo-nos, na fidelidade ao Carisma da nossa Congregação, a serviço da Igreja e do mundo.
Ajudai-nos a ser para os irmãos um prolongamento da vossa Divina Providência e acendei, em cada uma de nós, uma centelha do vosso amor para que, simples e humilde, possamos doar a paz e a serenidade às pessoas a nós confiadas e fazer de nossa vida um harmonioso cântico de oração e trabalho, na busca alegre de vossa vontade. Assim seja.
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Novembro 4th, 2009 at 21:12
Servas de Deus Maria e Giustina Schiapparoli: exemplo de humildade; vivência na simplicidade; dedicação a caridade; equilibrio de oração e trabalho; mulheres confiantes ao Chamado de Deus; servas determinadas na Construção do Reino dos Pequeninos e menos favorecidos; luz presente na vida de todos; Providência viva na Sociedade… Apaixonadas em Acolher, Assistir e Educar.