Sáb 19 Jun 2010
A partida da Irmãs Missionárias para o Brasil
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Com a partida das Irmãs Missionárias de Voghera, a 4 de fevereiro de 1936, iniciava “a aventura missionária” das Irmãs Beneditinas da Divina Providência, destinada a realizar grandes e imprevisíveis progressos. A história registrou, por questão de crônica, os nomes das sete Irmãs que fizeram parte do primeiro grupo. Eram elas: Irmã Faustina Oldani, Irmã Ferdinanda Cossiga, Irmã Flávia Franchini, Irmã Aurélia Omarini, Irmã Giorgina Molinari, Irmã Federica Maga e Irmã Elígia Nobile. ( Irmãs já postadas neste blog). A partida de Gênova, com o navio “Augustus”, aconteceu no dia seguinte, 6 de fevereiro. Destinação, como já dissemos, Nova Veneza, no Estado de Santa Catarina. Nova Veneza, o nome mesmo já diz, foi fundada pelos colonos italianos de origem vêneta, os quais, não esquecendo a sua mãe-pátria, quiseram perpetuar os liames com os seus lugares de proveniência, fundado, nas intermináveis extensões de terra do Sul do Brasil, cidade como: Nova Veneza, Nova Treviso, Nova Belluno, Laguna.
O Diário de Viagem de nossas queridas Missionárias é um verdadeiro tesouro de fé, fidelidade e doação. Elas narram com detalhes, a despedida e as peripércias da viagem.
O dia 3 de fevereiro de 1936, na Casa Madre de Voghera-Itália, é um dia marcado pela dor da partida. Na parte da manhã, a Celebração da Eucaristia, quando as Missionárias são alimentadas com o “Pão” que gera força. Às 14h, a Festa do Adeus. Elas, acompanhadas de suas madrinhas, entram no salão de festas da Casa Madre, sob uma calorosa salva de palmas. E elas escrevem em seu Diário: “Muita honra para nós! O que poderemos nós merecer, pobres criaturas, se não nos sustenta e nos guia a mão daquele que, no nada, fez surgir novas coisas?”. Os números artísticos, apresentados pelas órfãs e pelas alunas, comoveram muito as Missionárias que, agradecidas, escrevem: “Obrigada, crianças, pelas vossas felicitações, pelos vossos cantos de despedida, tão cheios de suave e triste nostalgia! Levá-las-emos conosco, no silêncio majestoso do oceano! Contemplaremos os vossos pequenos corações, no azul do céu, que se reflete e se funde no azul do mar! Conosco irá o olhar dos vossos olhos, tão cheios de serena luz! Levaremos a vossa saudação à terra estrangeira! Daremos às crianças do Brasil o beijo, a saudação dos ‘fanciulli’ da Itália!”
No final, os agradecimentos de Madre Elena Arbasino e a saudação às queridas filhas que se despedem.
Chegou a hora da separação. Chegou a hora de retirar a escada de subida do navio. Com o coração que parecia arrebentar, as irmãs se despediram da Madre Elena Arbasino e de Irmã Camilla Bassani. “Mas o Senhor nos ajuda e, fortes pela força que vem de Deus, que nos sustenta, nos separamos”, escrevem elas em seu Diári. Foram tirados os cabos que prendiam o navio ao porto. O navio dá um pequeno balanço para frente e, lentamente, começa a deslizar pelo mar, ao som de uma meodia marcial e alegre. Da terra, o Capelão dá a elas sua benção. A Madre Elena Arbasino e Irmã Camilla Bassani são a imagem da dor. Acenam com sinais de despedida, aos quais as Irmãs respondem, agitando lenços brancos. O navio ganha velocidade e entra mar a dentro. Encontramos escrito no Diário de Viagem das sete Irmãs Missionárias: ” As pessoas queridas se distanciam sempre mais… Agora, não resta senão um ponto longínquo, alguma coisa branca que se agita ainda, com sinais de adeus, assim como o ágil vôo da pomba que deixa, mesmo na distância do vôo, a visão das suas cândidas asas! Adeus, parentes queridos! Adeus, Superioras, Coirmãs que nos amam tanto! Adeus! Adeus , lindo céu sereno de nossa Itália! Adeus! Adeus, Pátria querida, que desaparece e se afunda lá no horizonte longínquo! Que será deste grupo de andorinhas volantes, em terras estrangeiras?Destas ovelhas sem pastor?”
As Missionárias retiram-se às cabines para se organizarem e se tranquilizarem, depois de tantas emoções. E a grande viagem tem ínicio.

















